“As minas de mercúrio de Huancavelica não eram apenas complementares às de Potosí; elas constituíam a própria condição para a existência destas últimas.” – Pierre Vilar
Resumo
A escravidão e a desapropriação dos povos indígenas são os alicerces do mundo moderno. A inesperada abundância de riquezas minerais provenientes da conquista das Américas transformou a ordem mundial. As joias das recém-criadas regiões administrativas coloniais ou vice-reinos eram as minas de Zacatecas, Guanajuato e Taxco, na Nova Espanha, e de Potosí, no Vice-Reino do Peru. Em apenas algumas décadas, os ricos veios de prata de Potosí se esgotaram completamente. Foi somente com a introdução de um novo processo de fundição para extrair prata do minério que a mina ganhou uma segunda vida e deu início à revolução dos preços na Espanha no final do século XVI, quando as altas taxas de inflação transformaram a economia local e, posteriormente, a economia global. O novo processo de fundição dependia fortemente do mercúrio, também conhecido como prata-viva. Graças aos seus ricos depósitos de mercúrio, a cidade de Huancavelica tornou-se tão importante quanto, ou até mais importante que, as lendárias minas de Potosí na formação do capitalismo moderno. A exploração brutal de um dos depósitos de cinábrio mais ricos do mundo, na atual cidade peruana de Huancavelica, permitiu à Espanha consolidar melhor sua geografia mineira e fortalecer um império.
Citation
Ygarza, George. 2024. 'Um Nó Mercurial do Capitalismo Global: Como o Mercúrio de Huancavelica Ajudou a Criar o Mundo Moderno'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/Ygarza-QuispeG002/
![“La ciudad minera de Guancavelica” \[The mining town of Huancavelica\] (Felipe Guamán Poma de Ayala, *Nueva corónica y buen gobierno* (1615), 3:1055.)](/images/content/Ygarza-QuispeG002/image1_huc8c299c6131d583beb7063a02910771d_43917_217x300_resize_q80_h2_lanczos.webp)





