Dispossesions in the Americas

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    Narrative 2019

    Coproduction of Prenatal Care for Indigenous Women in the Great Chaco

    • Falleti, Tulia G.

    • Cunial, Santiago L.

    • Bonczok Sotelo, Selene

    • Crudo, Favio

    Published: 2024

    *Wichí* community in Salta, Argentina. Photograph by Tulia G. Falleti, August 4, 2019.

    Wichí community in Salta, Argentina. Photograph by Tulia G. Falleti, August 4, 2019.

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    Narrative 2019

    Coproducción de controles prenatales en mujeres Indígenas embarazadas del Gran Chaco

    • Falleti, Tulia G.

    • Cunial, Santiago L.

    • Bonczok Sotelo, Selene

    • Crudo, Favio

    Published: 2024

    Comunidad wichí en Salta, Argentina. Fotografía de Tulia G. Falleti, 4 de agosto de 2019.

    Comunidad wichí en Salta, Argentina. Fotografía de Tulia G. Falleti, 4 de agosto de 2019.

    Narrative 2019

    Coprodução dos Cuidados Pré-natais para Mulheres Indígenas no Gran Chaco

    • Falleti, Tulia G.

    • Cunial, Santiago L.

    • Bonczok Sotelo, Selene

    • Crudo, Favio

    Published: 2024

    Coprodução dos Cuidados Pré-natais para Mulheres Indígenas no Gran Chaco

    Tulia G. Falleti, Santiago L. Cunial, Selene Bonczok Sotelo e Favio Crudo

    Comunidade Wichí em Salta, Argentina. Fotografia por Tulia G. Falleti, 4 de agosto de 2019.

    Qual seria a melhor maneira de fornecer cuidados com a saúde para comunidades indígenas que vivem longe de centros de saúde? No caso de pessoas grávidas, quais estratégias poderiam melhorar os cuidados pré-natais e diminuir as doenças que são transmitidas hereditariamente – como a doença de chagas, HIV, hepatite B e sífilis – que podem ter graves consequências para a saúde dos pais como a do recém-nascido? Para resolver essas questões, membros da nossa equipe viajaram para a região do Gran Chaco em agosto de 2019 e janeiro de 2023, para observar como os cuidados com a saúde são oferecidos para mulheres grávidas através do uso de unidades móveis de saúde. 1 Isso fez parte de um programa em que prestadores de serviços de saúde não estatais juntaram-se aos sistemas provinciais de saúde pública em três países vizinhos para fornecer cuidados pré-natais para mulheres grávidas cuja maioria é indígena. [LEIA MAIS]

    O Contexto

    A área de tripla fronteira entre Argentina, Bolívia e Paraguai, na região do Gran Chaco, é em sua grande parte povoada por povos indígenas. No lado argentino, os Wichí fazem parte do maior grupo étnico, seguido das comunidades Chorote e Pilagá, entre outras. Os povos Weenhayek e Guaraní também estão presentes na região, em especial na Bolívia e no Paraguai, respectivamente. As unidades móveis de saúde visitaram lugares que incluíam Santa Victoria Este e Alto La Sierra na Argentina; Creveaux e D’Orbigny na Bolívia; e Pozo Hondo e Dr. Pedro P. Peña no Paraguai (ver Mapa 1). Essa região possui uma das maiores taxas de mortalidade maternal e infantil desses países, em parte devido à escassez de água potável durante o verão (que leva a doenças diarreicas e desidratação) e pela predominância de doenças respiratórias no inverno. O acesso aos centros de saúde é normalmente difícil devido às distâncias, às condições precárias das estradas e à extrema limitação de carros disponíveis nas comunidades indígenas da região. Aumentando o risco da falta de tratamento imediato para emergências, que podem levar à morte. (Ver Tabela 1 [XXX link to https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200#t0005 ] em nosso artigo publicado relacionado [XXX link to https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200]).

    Mapa 1: Locais que fazem parte da intervenção ADESAR/Mundo Sano2

    Centro de saúde municipal Crevaux, em Yacuiba, Bolivia. Fotografia por Tulia G. Falleti, 7 de agosto de 2019.

    Unidade móvel de saúde

    Desde 2018, duas organizações não governamentais (ONGs) da Argentina, ADESAR e Mundo Sano [XXX hyperlink to https://mundosano.org/en/ ], fazem parceria com a província de Salta, na Argentina, e, periodicamente com as autoridades sanitárias regionais em Yacuiba, na Bolívia e Boquerón, no Paraguai, para fornecerem cuidados pré-natais para mulheres grávidas a cada dois meses. A equipe de médicos da ONG – que inclui um obstetra, um ultrassonografista, um bioquímico e um pediatra – se unem com as autoridades sanitárias locais (médicos, nutricionistas, enfermeiros e trabalhadores locais da área da saúde) para fornecer exames de saúde para mulheres grávidas. Cada paciente recebe um check-up clínico, um ultrassom e exames de laboratório para identificar a presença da doença de chagas, HIV, hepatite B ou sífilis. Além disso, quando tais doenças são detectadas, os médicos da ONG em colaboração com as autoridades locais de saúde pública realizam o tratamento para as mulheres e, quando necessário, para os recém-nascidos. Todo o cuidado é feito sem custo para as mulheres ou para o sistema de saúde pública, e é financiado pela Fundação Mundo Sano por meio de fundos e auxílios filantrópicos.

    Ultrassonografista realizando o ultrassom na unidade móvel; paciente sentada no banco da frente da caminhonete, comunidade La Abispa, em Salta, Argentina- Fotografia por Santiago L. Cunial, Agosto de 2019.

    Instalação do “laboratório” portátil para testes rápidos e caminhonete de unidade móvel ao fundo, comunidade El Toro em Salta, Argentina. Fotografia por Santiago L. Cunial, agosto de 2019.

    Quais foram os efeitos da unidade móvel de saúde depois de 18 meses?

    Entre junho de 2018 e outubro de 2019, os médicos da ONG fizeram nove visitas a área de fronteira tripla, utilizando unidades móveis de saúde equipadas com máquina de ultrassom e laboratório portátil abastecido com testes rápidos. Durante esse tempo, foi possível fornecer ao menos um check-up do exame pré-natal para quase todas as mulheres grávidas do lado argentino da fronteira. Eles conseguiram fazer o mesmo para cerca de metade das mulheres grávidas nas áreas visitadas na Bolívia e Paraguai, onde os profissionais atuaram por menos tempo em comparação a Argentina (ver Tabela 3 [XXX link to https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200#t0015] em nosso artigo). Além da administração dos cuidados pré-natais, foram diagnosticados 69 casos da doença de Chagas e cinco casos de sífilis; não foram encontrados casos de HIV ou de hepatite B nas mulheres que fizeram os testes (ver Tabela 5 [XXX link to https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200#t0025] em nosso artigo). Tanto os cuidados pré-natais quanto as taxas de diagnóstico melhoraram depois de iniciar o uso das unidades móveis de saúde.

    Coprodução em cuidados com as saúde: Complementaridade (sim) e Integração (não exatamente)

    De uma perspectiva das ciências sociais, essa intervenção pode ser avaliada como um caso de sucesso da coprodução entre os médicos da ONG e as autoridades locais de saúde no fornecimento de cuidados da saúde para mulheres grávidas. “Coprodução” se refere ao esforço colaborativo onde ambas as partes trabalham juntas de modo a maximizar suas contribuições, dessa forma melhorando os resultados em conjunto. 3 Ao fazer nossa avaliação, procuramos por evidências em dois componentes fundamentais da coprodução: (a) “complementaridade”, onde cada parte contribui com habilidades ou recursos que a outra não possui, e (b) “integração”, que definimos como o ponto em que as partes estão interconectadas, aprendendo ou transformando uma a outra através das práticas compartilhadas. 4

    Nessa intervenção médica, houve complementaridade entre a experiência e o equipamento dos médicos da ONG e o conhecimento e o trabalho das autoridades locais de saúde, resultando na melhoria do acesso aos cuidados com a saúde e diagnóstico de doenças. Apesar disso, observamos pontos de melhoria, sobretudo a falta de um intérprete Wichí, que causou uma enorme barreira de comunicação entre as pacientes e a equipe médica. Em nossa segunda visita, no entanto, percebemos que a ausência de um intérprete permitiu que as mulheres pudessem discutir mais abertamente sobre suas circunstâncias pessoais e seus medos. Muitos continuaram a busca pelo intérprete para obter ajuda na navegação do sistema de saúde, mesmo após a conclusão da intervenção médica. Em nosso artigo [XXX link to  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200 ], argumentamos que enquanto a complementaridade entre a ONG e os médicos do sistema público de saúde existe, a integração – ou a sensação de pertencimento aos pacientes e às comunidades – está em falta, e um intérprete poderia melhorar essa situação.

    Também notamos que, exceto a comunidade de profissionais da saúde de Salta (em que alguns são indígenas), a maioria dos médicos e dos outros profissionais têm muito pouca interação com os cuidados tradicionais indígenas. Os curandeiros e as parteiras são completamente invisibilizados ou marginalizados. Acreditamos que uma abordagem intercultural aos cuidados da saúde – uma em que não apenas emprega intérpretes de língua indígena, mas que também incorpora os curandeiros e as parteiras, quando disponíveis e dispostos a colaborarem com médicos de formação tradicional – poderia melhorar ainda mais os resultados obtidos por essa parceria. Também estamos ansiosos para como ver a efetivação da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no caso da Associação Lhaka Honhat (Our Land) vs. Argentina [XXX link to PensaL002], relativas à recuperação do território Wichí nessa região, poderá afetar os resultados individuais e da saúde pública nessas comunidades.

    Referências:

    Crudo, Favio, Pablo Piorno, Hugo Krupitzki, Analia Guilera, Constanza Lopez-Albizu, Emmaria Danesi, Karerina Scollo*, et al.* “How to Implement the Framework for the Elimination of Mother-to-Child Transmission of HIV, Syphilis, Hepatitis B, and Chagas (EMTCT Plus) in a Disperse Rural Population from the Gran Chaco Region: A Tailor-Made Program Focused on Pregnant Women.” [In English]. PLoS Neglected Tropical Diseases 14 (28 de maio de 2020): e0008078.

    Evans, Peter. “Government Action, Social Capital and Development: Reviewing the Evidence on Synergy.” World Development 24, no. 6 (1996): 1119–32.

    Ostrom, Elinor. “Crossing the Great Divide: Coproduction, Synergy, and Development.” World Development 24, no. 6 (1996): 1073–87.

    Para ler mais sobre nossa pesquisa, você pode fazer o download do nosso artigo revisado por pares e de livre acesso publicado no World Development [XXX link to  https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0305750X23003200 ].


    1. Em nosso estudo de caso, usamos o termo “mulher grávida” ao invés do mais inclusivo “pessoa grávida” porque foi especificamente essa população que foi atendida pelos profissionais envolvidos nessa intervenção médica. ↩︎

    2. Favio Crudo, Pablo Piorno, Hugo Krupitzki, Analia Guilera, Constanza Lopez-Albizu, Emmaria Danesi, Karerina Scollo*, et al.* “How to Implement the Framework for the Elimination of Mother-to-Child Transmission of HIV, Syphilis, Hepatitis B and Chagas (EMTCT Plus) in a Disperse Rural Population from the Gran Chaco Region: A Tailor-Made Program Focused on Pregnant Women.” [Em inglês]. PLoS Neglected Tropical Diseases 14 (28 de maio de 2020): e0008078, 4. ↩︎

    3. Elinor Ostrom, “Crossing the Great Divide: Coproduction, Synergy, and Development,” World Development 24 (1996): 1073–1087. ↩︎

    4. Nossa definição se baseia na crítica sobre o conceito de coprodução de Peter Evans. Ver por exemplo: Peter Evans, “Government Action, Social Capital and Development: Reviewing the Evidence on Synergy.” World Development 24, no. 6 (1996): 1119–32. ↩︎

    Citation

    Falleti, Tulia G., Santiago L. Cunial, Selene Bonczok Sotelo, and Favio Crudo. 2024. 'Coprodução dos Cuidados Pré-natais para Mulheres Indígenas no Gran Chaco'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/FalletiT001/

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