O Roubo da Dor
Lucía Egaña and Francisco Godoy, curadores

Negreros, Lizette Nin, almofadas esculturais impressas, 2019, cortesia do artista.
Resumo
Local: Museo de Bellas Artes de Chile em Santiago, Chile.
Por séculos os diferentes povos indígenas que habitam o Abya Yala questionam o extrativismo, não pela matriz econômica, mas no que diz respeito à relação viva entre natureza e humanidade. Embora esse debate esteve longe do domínio da história da arte, domínio em que o Museu de Bellas Artes de Chile (MNBA) têm sido fiel, El Robo del Dolor [O Roubo da Dor] busca reestabelecer o equilíbrio. Dividido entre as seções Episterricídio, Ficção da racialização, Erótica da extração e Saberes ancestrais, essa exposição coletiva trabalha contra as denominações e hierarquias do modernismo e do pensamento eurocêntrico, enquanto situa os saberes ancestrais indígenas contra o projeto de “mestiçagem” e uma amnésia geral do passado. Temas como as migrações, as dissidências sexuais e de gênero e as relações de poder racistas são evidenciados através das obras selecionadas. [LEIA MAIS]
“A história da modernidade é uma história global de violência e dor. A colonização, que acarretou o processo de imposição cultural por parte do Ocidente e a extração de matérias primas, foi marcada pela produção de profundas feridas, dando lugar a rupturas que deixam cicatrizes nos territórios, assim como em múltiplas comunidades”, explicam os curadores Lucía Egaña Rojas e Francisco Godoy Vega.
A exposição pretendia fazer uma releitura da coleção do MNBA à luz dessas premissas extrativistas e em diálogo com a arte contemporânea. O resultado foi uma mistura de respostas corporais e (des)encontros tensos com o museu para expor como o que foi considerado como “Belas Artes” no Chile sempre incluía uma relação problemática com a classe social, raça, gênero e sexualidade – todos historicamente implicados ao processo extrativista. Construir essa exposição com artefatos do Museu Histórico Nacional fortaleceu a relação entre a história da arte e a história social da nação, revelando como, a partir da colonização, a arte continua a existir como um artefato de poder.

Padre las Casas amamantado por una india (ca. 1875), José Miguel Blanco (detalhe). Colección Museo O’Higginiano y de Bellas Artes de Talca. Cortesia Museo de Bellas Artes de Chile.
Site oficial: https://www.mnba.gob.cl/noticias/el-robo-del-dolor
Citation
Egaña, Lucía, e Francisco Godoy. 2023. 'O Roubo da Dor'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/EganaL001/




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