Resumo
Local: Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro no Rio de Janeiro, Brasil.
“Nakoada” é uma estratégia de guerra desenvolvida pelo povo Baniwa da região do Alto Rio Negro para garantir novas possibilidades de continuidade no mundo. É esse o conceito que guia a curadoria da exposição. Nakoada significa mergulhar em aspectos de uma cultura diferente a fim de garantir a sobrevivência de sua própria. Se originalmente essa prática foi usada pelo povo Baniwa para lidar com outros povos indígenas, hoje ela é repensada e aplicada no contato com culturas não indígenas. Mais do que uma análise crítica do modernismo — que já foi feita de forma elaborada, inclusive por artistas indígenas— a exposição tem como objetivo mostrar como a arte moderna pode dialogar com questões atuais, e, ao mesmo tempo, escapar das armadilhas do modernismo tradicional.
A exposição assume a forma de uma serpente cósmica que não tem início nem fim— e as obras de arte são colocadas no corpo da serpente que percorre o Salão Monumental do museu. A figura da serpente é recorrente na visão Baniwa, assim como em várias culturas ocidentais e orientais, do norte ao sul. Desde o período antes da colonização, as serpentes representam uma temporalidade expandida— e a história que ela carrega dentro de si.

Imagens da instalação da exposição Nakoada.
Segundo o curador Denilson Baniwa, “Nakoada é um ato de retorno. É o momento em que os povos alvo de forças externas compreendem o poder opressivo do outro, e então buscam retornar à sua própria autonomia.”

MAHKU, Kapewẽ Pukenibu, 2022, Acrílico sobre tela. Comissionada. Cortesia do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Zahy Guajajara, Karaiw a’e wà (Os civilizados), 2022 (frame). Vídeo, cor, som, 14:30. Comissionado por MAM-Rio, Rio de Janeiro, Brasil, para e exposição “Nakoada: Estratégias para a arte moderna.” Cortesia do artista e do Candombá.
Artistas participantes: Alberto da Veiga Guignard, Alfredo Volpi, Anita Malfatti, Cândido Portinari, Cícero Dias, Cinthia Marcelle, Emiliano Di Calvacanti, Djanira, Edival Ramosa, Carmézia Emiliano, Heitor dos Prazeres, Hipanina (Adalta Lopes Rodrigues), Ismael Nery, Jaider Esbell, José Pancetti, Laryssa Machada, Victor Brecherete, MAHKU, Maria Martins, Novíssimo Edgar, Povo Iny (Karajá), Povo Marubo (Marubo), Povo Tikuna (Tikuna), Povo Walimanai (Baniwa),Tarsila do Amaral, Vicente do Rego Monteiro, Zahy Guajajara, Ana Souza da Silva, Antonio Bandeira, Antônio Gomide, Carlos Scliar, Ducileni Brazão da Silva, Emeric Marcier, Flávio de Carvalho, Kerokoda (Maria de Lima), Lúcia Brazão da Silva, Mary Vieira, Mayara Campos Andrade, Milton Dacosta, Nazaria Andrade Montenegro Fontes, Oswaldo Goeldi, Padzoomaka (Cristina Rodrigues), Povo Maku (Maku), Povo Terena (Terena), Tomás Santa Rosa, Vieira da Silva, Xadalu.
Site oficial: https://mam.rio/programacao/nakoada-estrategias-para-a-arte-moderna/
Citação
Baniwa, Denilson, Beatriz Lemos, Keyna Elieson, e Pablo Lafuente. 2024. 'Nakoada: Estratégias para a arte moderna'. Despossessões nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/BaniwaD001/








