BOL0041Y
O TERRITÓRIO AIMARÁ DOS KARANQAS - PANORAMA DAS CONEXÕES TRANSFRONTEIRIÇAS POR VOLTA DO ANO 1900 (ADAPTAÇÕES DO GOOGLE EARTH)
Carmen Medeiros, Celina Grisi, and Radek Sánchez
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O mapa mostra as mudanças e continuidades na mobilidade transfronteiriça do território aimará dos Karanqas (Carangas) no contexto da formação do Estado e da expansão comercial no século XIX.1 Antes da chegada dos colonizadores espanhóis, no século XVI, o território aimará dos Karanqas fazia parte de Qullasuyu [XXX link to BOL0002Y], o distrito sul do estado Inca Tawantinsuyu [XXX link to BOL0001Y]. Seguindo o modelo de “controle vertical de nichos ecológicos” [XXX link to BOL0003Y], o território dos Karanqas localizava-se na parte centro-oeste do planalto, embora incluísse “ilhas étnicas” nos vales ocidentais e orientais. Após a Bolívia e o Chile se estabelecerem como repúblicas independentes no século XIX, o território foi dividido entre as duas nações. Apesar dessa divisão, as conexões transfronteiriças dos Karanqas persistiram e continuam a existir até hoje. O mapa, elaborado a partir de uma imagem moderna do Google Earth, mostra as principais cidades dos Karanqas próximas à fronteira com o Chile e o Peru, bem como as principais cidades que faziam parte da rota dos Karanqas em direção ao Pacífico (tanto em direção a Arica e Tacna quanto em direção a Iquique, no atual Chile) no século XIX. [LEIA MAIS]
Este mapa destaca-se pela sua capacidade de captar a duradoura natureza transfronteiriça dos Karanqas, que persistiu para além da independência do Peru, Chile e Bolívia, em meio à dinâmica instável influenciada por eventos como a Guerra do Pacífico. Em certa medida, essas mudanças deixaram os Karanqas isolados do resto da República Boliviana; no entanto, sua conexão com as comunidades do oeste permaneceu muito importante. Comunidades de ambos os lados dessas fronteiras internacionais buscaram afirmar e consolidar seu controle sobre suas pastagens, terras agrícolas e minas dentro dos novos limites territoriais nacionais.2 O comércio ativo que mantinham entre si fazia parte de sua estratégia para responder às mudanças.
Os territórios transcordilheiranos eram especialmente relevantes para os Karanqas, em parte devido às características ecológicas da região, caracterizadas por um clima frio e seco. Na verdade, o altiplano e os vales ocidentais são muito próximos e interligados (frequentemente mais acessíveis do que os vales orientais), permitindo um trânsito e controle fluidos entre as duas encostas. Além do fato de os vales nessa latitude se estenderem até a costa, facilitando o trânsito para o Pacífico. 3
Embora alguns estudiosos argumentem que esses territórios transcordilheiranos foram estrategicamente empregados pelo território aimará dos Karanqas [XXX link to BOL0040Y] para responder e resistir de maneira eficaz às pressões coloniais, também argumenta-se que o núcleo dos Karanqas viu sua conexão com os enclaves do Pacífico diminuir à medida que as estruturas organizacionais indígenas sofreram fragmentação durante a colonização. 4 São necessárias mais pesquisas para compreender plenamente como os Karanqas utilizaram o acesso a esses territórios como parte de suas estratégias de resiliência durante o período de colonização espanhola. Contudo, apesar das inúmeras mudanças, as redes transfronteiriças continuam sendo parte integrante da vida contemporânea dos Karanqas.
REFERÊNCIAS:
Cajías de la Vega, F. Oruro 1781, sublevación de indios y rebelión criolla: vol I. La Paz: IFEA, 2005.
Cottyn, Hanne. “Entre Comunidad Indígena y Estado Liberal: los ‘Vecinos’ de Carangas
(Siglos XIX-XX).” Boletín Americanista 2, no. 65 (2012): 39-59.
Cottyn, H. “Global land commodification, national land reform and communal land tenure in Carangas (Bolivia), 19th -20th centuries”. Artigo apresentado na Rural History Conference, Bern, 2013.
Cottyn, Hanne. “Carangas en Movimiento: Estado Liberal, Elites Provinciales y
Movilidad Transfronteriza Andina entre el Altiplano Boliviano y el Pacífico
(1860-1930).” Diálogo Andino 66 (Dezembro de 2021): 261-272.
Gavira-Marquez, M. C. “Población Indígena, Minería y Sublevación en Carangas: La Caja
Real de Carangas y el Mineral de Huantajaya, 1750-1804”, Lima: Instituto Francês
de Estudos Andinos - CIHDE, 2008.
Michel, M. “El Señorío Prehispánico de Carangas.” Dissertação de Diploma Avançado em Direito dos Povos Indígenas, Universidad de la Cordillera, La Paz, 2000.
Montero Montero, R. Gil. “Migración y Minería en el Corregimiento de Carangas (actual Bolivia), Siglo XVII.” Anuario de Historia de América Latina 55 (2018): 190-217.
Cottyn, Hanne. “Carangas en Movimiento: Estado Liberal, Elites Provinciales y Movilidad Trans- Fronteriza Andina entre el Altiplano Boliviano y el Pacífico (1860-1930).” Diálogo Andino 66 (Dezembro de 2021): 261-272. ↩︎
Cottyn. “Carangas en Movimiento, 264. ↩︎
R. Gil Montero Montero, “Migración y minería en el corregimiento de Carangas (actual Bolivia), siglo XVII,” Anuario de Historia de América Latina 55 (2018): 190-217. ↩︎
M. C. Gavira-Marquez, Población Indígena, Minería y Sublevación en Carangas: La Caja Real de Carangas y el Mineral de Huantajaya, 1750-1804 (Lima: Instituto Francês de Estudos Andinos – CIHDE, 2008), 9. ↩︎
Citation
Medeiros, Carmen, Celina Grisi, and Radek Sánchez Patzy. 2024. 'O TERRITÓRIO AIMARÁ DOS KARANQAS - PANORAMA DAS CONEXÕES TRANSFRONTEIRIÇAS POR VOLTA DO ANO 1900 (ADAPTAÇÕES DO GOOGLE EARTH)'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/BOL0041Y/