Dispossesions in the Americas

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    Map Commentary 1500 - 1570

    TERRITORY OF THE AYMARA LORDSHIP OF THE KILLAKAS IN THE EARLY 16TH CENTURY

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

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    Abercrombie, T. ([1998] 2006). Caminos De la memoria y del poder. Etnografía e historia de una comunidad andina. IFEA, IEB, ASDI.

    Abercrombie, T. ([1998] 2006). Caminos De la memoria y del poder. Etnografía e historia de una comunidad andina. IFEA, IEB, ASDI.

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    Map Commentary 1500 - 1570

    TERRITORIO DEL SEÑORÍO AYMARA DE LOS KILLAKAS A PRINCIPIOS DEL SIGLO XVI

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

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    Abercrombie, T. ([1998] 2006). Caminos De la memoria y del poder. Etnografía e historia de una comunidad andina. IFEA, IEB, ASDI.

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    Map Commentary 1500 - 1570

    TERRITÓRIO DO SENHORIO AIMARÁ DOS KILLAKAS NO COMEÇO DO SÉCULO XVI

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

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    BOL0038Y

    TERRITÓRIO DO SENHORIO AIMARÁ DOS KILLAKAS NO COMEÇO DO SÉCULO XVI

    Carmen Medeiros, Celina Grisi e Radek Sánchez

    [XXX insert map BOL0038 with title and reference_nt as caption]

    Este mapa, elaborado com base em fonte primárias e secundárias, descreve o território da confederação Killakas (também conhecido como Killaqas, Quillaqas ou Quillacas)1. Nos anos anteriores ao início da Colônia, o território deste senhorio aimará [XXX link to BOL0003Y] que fazia parte do Qullasuyu [XXX link to BOL0002Y], no distrito sul do estado Inca, localizava-se no sudeste do lago Poopó. A partir do modelo de controle vertical dos pisos ecológicos e territorialidade descontínua [XXX link to BOL0003Y], os Killakas estavam situados nos planaltos, ao sudeste do lago Poopó, e em pisos ecológicos ao longo do percurso dos vales interandinos do atual sudoeste boliviano. As principais reformas implementadas pelo Estado colonial nas décadas de 1570, obrigaram a realocação de seus assentamentos dispersos em seis povoados concentrados cujas referências geográficas e identitárias se mantêm até hoje. [LEIA MAIS]

    O espaço estava organizado de tal modo que cada uma das nações que compunham esta federação tinha um território separado. Os Asanaque em direção ao nordeste do território, os Killaka e Aullagas-Urukillas em direção ao centro, e os Sevaruyos e Aracapis em direção ao sul, no que foi o corregimento de Porco nos tempos coloniais. O mapa referencia altitudes acima do nível do mar, picos, salares, rios, cidades espanholas, reduções [XXX link to TL003Reducciones] e ilhas nos vales.

    Os Killakas eram fundamentalmente pastores de camelídeos e, de maneira secundária, praticavam a agricultura. Além disso, eram hábeis para o trabalho nas minas, e por esse motivo trabalharam nos veios de prata junto com outros grupos, visto que as minas se construíram em espaços multiétnicos controlados pelo estado Inca. Também exploravam o sal. A parte ocidental de seu território incluía o salar de Coypasa e uma pequena parte do de Uyuni. Ao sudeste, tinham as minas de sal de Urmiri e, nos tempos da colônia, possuíram as de Yocalla. O sal se constituiu em um bem de troca universal, visto que também criavam lhamas por todo o território, com as quais viajavam em caravanas de centenas de animais carregados de sal, com destino aos vales para trocá-las por milho, frutas, mel e outros produtos que complementavam sua dieta2.

    Existem muitos estudos sobre as estratégias de aquisição de terras e comercialização de sal, produto de primeira necessidade na vila de Potosí3. Foram analisados os mecanismos que os Killakas mobilizaram para não só manter seu território pré-hispánico, mas também incrementá-lo, fazendo uso de uma grande criatividade, de maneira tal que o território foi tendo uma série de remodelações, ganhos e perdas, assumindo o sistema mercantil que a coroa impôs.

    Com a “descoberta” dos veios de Potosí, os Killakas se inserem na mineração potosina desde cedo. Posteriormente, com as reformas de Toledo nos anos de 1570, os Killakas tiveram que cumprir com a mita [XXX link to TL005Mita] obrigatória junto com outras quinze províncias4. Sua Kuraka, autoridade indígena, convertido em Capitão de Mita, foi o kuraka andino mais poderoso nos tempos de Toledo, o único indígena proprietário de um engenho mineiro que chegou a ter uma marcada influência na promulgação de ordenanças que foram emitidas por Toledo, além de sua participação na economia por meio do beneficiamento do metal. Isso implicava quadro coisas, a) contar com um importante capital inicial para instalar um engenho; b) contatos com o poder colonial; c) contar com a mão de obra; d) e talvez o mais importante, “ter uma mentalidade que lhe permitia articular exitosamente, desde o período colonial recente, a economia comunal com a de mercado5.

    Os Killakas buscavam a consolidação de seu território e a ampliação do mesmo. Controlavam o acesso às minas de Yocalla, provedora de Potosí, além de pastagens onde podiam criar imensos rebanhos de lhamas que transportavam o sal desde as salinas para os engenhos. Portanto, sua localização resultou insuperável para aproveitar o que acontecia em Potosí em benefício próprio. Por outro lado, os Asanaque possuíam um território descontínuo que se localizava principalmente em dois blocos de ambos lados do território mineiro de Porco y Potosí. O sal se constituiu em um negócio lucrativo, porque a técnica de amalgamação com o mercúrio (ou azougue) para obter prata mais pura requeria vasta quantidade de sal, além da necessária para o consumo humano e animal em Potosí. O ganho estava nos grandes volumes da transação e, sobretudo, no transporte, negócio que favoreceu a vários espanhóis. Mas a venda e o transporte de sal começou a ser uma das fontes de renda mais importantes para os Killakas, visto que o controle do gado estava em suas mãos6.

    Os criadores de lhamas Killakas encarnaram a transição de uma economia de tipo “étnico” a outra de mercado. Não só manejaram precocemente as equivalências nos intercâmbios, mas também incorporaram o conceito de valor do trabalho socialmente necessário expresso no manejo de seus animais para o transporte de sal e minerais, o que “agregava valor às suas mercadorias ou bens de troca. Com essa bagagem cultural, mas não somente, e sim junto de outra bagagem profundamente religiosa e ritual […] enfrentaram o novo sistema7”. Tudo parece indicar que a fortuna que os Kurakas Killakas começaram a ganhar foi empregada na compra de terras. Daí a grande quantidade de posses adquiridas nos tempos coloniais, tanto em forma de fazendas particulares dos curacas como de terras comunais.

    O Estado Republicano trouxe novas estruturas de governabilidade territorial que provocaram conflitos territoriais históricos sobre os limites interdepartamentais que, até a atualidade, não foram resolvidos entre os Killakas do departamento de Potosí e os Killakas do Departamento de Oruro. Com a Reforma Agrária se acelerou a sindicalização camponesa com a titulação privada das terras, como exigia a lei desde 19538.

    As autoridades originais dos ayllus reunidas na população de Santuario de Quillacas, capital da Nação Originária Jatun Killaka, como se autodenominam, com a participação de seus comunarios, autoridades originárias, definiram a criação da Federação dos Ayllus do Sul de Oruro (Fasor). Em 1997 consolidaram o movimento indígena das nações originárias na Bolívia como representação nacional com jurisdição territorial em terras altas, para o exercício de sua governabilidade e organização territorial até a atualidade9.

    No contexto do Estado Plurinacional da Bolívia, a Nação Originária Jatun Killaka se localiza, de acordo com a referência político-administrativa do Estado Boliviano, nas províncias Eduardo Avaroa, Sebastián Pagador e Ladislao Cabrera. Conta com 74 ayllus (seis deles em processo de reconstituição) e mais de mil comunidades. Conta com um Conselho do Governo Originário de acordo com seus sistemas e estruturas próprias de organização territorial. Até 2011, 54 ayllus, comunidades ou associações solicitaram a titulação como TIOCS (Territórios Indígenas Originários Campestres) [XXX link to BOL0022Y], dos quais 44 títulos foram entregues10. De acordo com dados oficiais de 2007, o território da nação originária Jatun Killakas conta com uma extensão de sua superfície de 14.805 km² (representa 30,28% da superfície do território departamental), e uma população que soma 49.594 habitantes, com uma densidade populacional de 3.35 hab/km².11

    Para as primeiras décadas do século XXI, a macro-identidade Killaka perdura como memória histórica. Cada ayllu e comunidade assume esse pertencimento político e cultural, do mesmo modo que seus habitantes assumem o pertencimento a uma estrutura sindical camponesa.

    REFERÊNCIAS:

    Abercrombie, Thomas. Caminos de la Memoria y del Poder. Etnografía e Historia de

    una Comunidad Andina. La Paz: IFEA - IEB, 2006.

    Barragan, Rossana y Molina, Ramiro. De Señoríos a Comunidades, El Caso del Señorío

    Quillaca. La Paz: MUSEF, 1987.

    Platt, Tristan. “Acerca del Sistema Pre-Toledano en el Alto Perú.” Avances 1 (1978):

    33-46.

    Fundación Tierra. Territorios Indígena Originario Campesinos en Bolivia. Entre la

    Loma Santa y la Pachamama, La Paz: Fundación Tierra, 2011.

    Medinaceli, Ximena. “Los Quillacas, Potosí y la Sal: Formas Culturales de Transición de un Sistema de Intercambio a otro Mercantil”. En Mina y Metalurgia en los Andes del Sur, desde la Época Prehispánica hasta el Siglo XVII, editado por Pablo Cruz y Jean Joinville Vacher, 279-301. Lima, Perú: IRD-IFEA, 2008.

    Medinaceli, Ximena. Sariri: Los Llameros y la Construcción de la Sociedad Colonial. La Paz: IFEA-Plural, 2010.

    Michel López, Marcos. Patrones de Asentamiento Precolombino del Altiplano Boliviano Lugares Centrales de la Región de Quillacas, Departamento de Oruro, Bolivia [tesis doctoral]. (La Paz: Universidad Mayor de San Andrés; Uppsala: Department of Archaeology and Ancient History- Uppsala University, 2008).

    Tristan Platt. “Symétries en Miroir: Le Concept de Yanantin chez les Macha de Bolivie”. Annales E.S.C. 33, 5-6 (1978): 1081-1107.

    Nación Originaria Suyu Jatun Killaka Asanajaqi. Historia de la Nación Originaria Suyu Jatun Killaka, 2013. Recuperado de http://suyujatunkillaka.blogspot.com/ (revisado el 9-11-2022).

    Andina. (La Paz: IFEA - IEB, 2006), 157; Tristan Platt. “Symétries en Miroir: Le Concept de Yanantin chez les Macha de Bolivie”. Annales E.S.C. 33, 5-6 (1978), 1081-1107.

    Centrales de la Región de Quillacas, Departamento de Oruro, Bolivia [tesis doctoral]. (La Paz: Universidad Mayor de San Andrés; Uppsala: Department of Archaeology and Ancient History Uppsala University, 2008).

    Intercambio a otro Mercantil”. En Mina y Metalurgia en los Andes del Sur, desde la Época Prehispánica

    hasta el Siglo XVII, ed. Pablo Cruz y Jean Joinville Vacher (La Paz, Lima: IRD-IFEA, 2008), 279-301

    de la Sociedad Colonial (La Paz: IFEA-Plural, 2010).

    Paz: MUSEF, 1987); Medinaceli. “Los Quillacas, Potosí y la Sal”.

    Andina. La Paz: IFEA – IEB, 2006).

    Recuperado de http://suyujatunkillaka.blogspot.com/ (revisado el 9-11-2022).

    la Pachamama (La Paz: Fundación Tierra, 2011).


    1. Thomas Abercrombie. Caminos de la Memoria y del Poder. Etnografía e Historia de una Comunidad ↩︎

    2. Marcos Michel López. Patrones de Asentamiento Precolombino del Altiplano Boliviano Lugares ↩︎

    3. Ximena Medinaceli. “Los Quillacas, Potosí y la Sal: Formas Culturales de Transición de un Sistema de ↩︎

    4. Medinaceli, “Los Quillacas, Potosí y la Sal; Ximena Medinaceli, Sariri: Los Llameros y la Construcción ↩︎

    5. Medinaceli. “Los Quillacas, Potosí y la Sal, 285. ↩︎

    6. Rossana Barragan y Ramiro Molina. De Señoríos a Comunidades, El Caso del Señorío Quillaca. (La ↩︎

    7. Medinaceli. “Los Quillacas, Potosí y la Sal”, 299. ↩︎

    8. Thomas Abercrombie. Caminos de la Memoria y del Poder. Etnografía e Historia de una Comunidad ↩︎

    9. Nación Originaria Suyu Jatun Killaka Asanajaqi. Diagnostico Territorial Jatun Killaka, Muyt’a, 2013. ↩︎

    10. Fundación Tierra. Territorios Indígena Originario Campesinos en Bolivia. Entre la Loma Santa ↩︎

    11. Nación Originaria Suyu Jatun Killaka Asanajaqi. Diagnostico Territorial Jatun Killaka. ↩︎

    Citation

    Medeiros, Carmen, Celina Grisi, and Radek Sánchez Patzy. 2024. 'TERRITÓRIO DO SENHORIO AIMARÁ DOS KILLAKAS NO COMEÇO DO SÉCULO XVI'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/BOL0038Y/

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