BOL0004Y
CAMINHOS INCAS E TAMBOS NO SÉCULO XVI
Carmen Medeiros, Celina Grisi e Radek Sánchez
[XXX: Insertar imagen del mapa BOL0004Y con pie de foto que incluya el título y la referencia]
Este mapa, desenhado sobre o mapa do Qullasuyu [XXX enlace a BOL0002Y] e sobre o mapa das comunidades aimarás [XXX enlace a BOL0003Y] ali localizadas, mostra a região do altiplano que rodeia o lago Titicaca e o principal caminho inca, conhecido como Qhapaq Ñan, em qhishwa, a língua dos incas. Essa extensa rede de caminhos e trilhos ligava o Cuzco com o distrito meridional do Estado inca, ou seja, o Tawantinsuyu [XXX enlace a BOL0001Y].1 O objetivo principal do Qhapaq Ñan era facilitar a comunicação entre os centros administrativos e de armazenamento chamados tambo, e permitir o transporte e o movimento de exércitos, mercadorias e pessoas. Teve um papel fundamental na administração e o controle dos vastos territórios que estavam sob o domínio inca. [LEIA MAIS]
Partindo do Cusco, o caminho se divide em dois ramais antes de chegar ao lago Titicaca. Um deles, do lado ocidental do lago, atravessando a parte alta (Urcusuyu) do altiplano. O outro ramal se dirige ao lado oriental do lago, passando pela parte baixa (Umasuyu) do altiplano. Os pontos do mapa indicam os principais centros administrativos e de armazenamento/celeiros do Estado inca. A palavra “tambo” em qhishwa se refere a um centro de armazenamento y redistribuição, um termo que ainda hoje é utilizado para designar os mercados atacadistas. Esses centros administrativos, estabelecidos pelos incas, serviam também como centros principais ou assentamentos centrais das comunidades aimarás, exigindo às vezes o deslocamento dos assentamentos pré-incaicos para novas localizações ao longo da estrada.
Sob o domínio colonial espanhol, a maioria desses centros administrativos se transformaram em «Pueblos Reales de Indios» ou reducciones [XXX enlace a TL003Reducciones]. As estradas Qhapaq Ñan, bem mantidas e estrategicamente situadas, foram um apoio logístico fundamental para os espanhóis nas campanhas militares, permitindo que seus exércitos conquistassem o território do Qullasuyu. Os caminhos, pensados para conectar os principais centros povoados e administrativos, permitiram que os conquistadores espanhóis atacassem lugares-chave e mantivessem o controle em áreas extensas.
REFERÊNCIA:
Bouysse-Cassagne, Thérèse. «L’espace aymara: urco et uma». Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, n.º 5-6 (dezembro de 1978): 1057-1080. https://doi.org/10.3406/ahess.1978.294000.
Thérèse Bouysse-Cassagne, «L’espace aymara: urco et uma». Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, n.º 5-6 (dezembro de 1978): 1057-1080. ↩︎
Citation
Medeiros, Carmen, Celina Grisi, and Radek Sánchez Patzy. 2024. 'CAMINHOS INCAS E TAMBOS NO SÉCULO XVI'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/BOL0004Y/

