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    Map Commentary 1530 - 1539

    AYMARA POLITIES of THE QULLASUYU in the 16th CENTURY

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

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    Bouysse-Cassagne, Therese. “Urqu et Uma: l’espace aymara.” Annales ESC, París, 1978.

    Bouysse-Cassagne, Therese. “Urqu et Uma: l’espace aymara.” Annales ESC, París, 1978.

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    Map Commentary 1530 - 1539

    SEÑORÍOS AYMARAS del QULLASUYU en el SIGLO XVI

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

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    Bouysse-Cassagne, Therese. “Urqu et Uma: l’espace aymara.” Annales ESC, París, 1978.

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    Map Commentary 1530 - 1539

    AS POLÍTICAS AIMARÁS DO QULLASUYU NO SÉCULO XVI

    • Medeiros, Carmen

    • Grisi, Celina

    • Sánchez Patzy, Radek

    Published: 2024

    BOL0003Y: No image found

    BOL0003Y

    AS POLÍTICAS AIMARÁS DO QULLASUYU NO SÉCULO XVI

    Carmen Medeiros, Celina Grisi e Radek Sánchez

    [XXX: Insertar imagen del mapa BOL0003 con pie de foto que incluya el título y la referencia_NT]

    Este mapa, elaborado a partir de uma lista de tributários1 encontrada em um documento colonial de 1585, indica as políticas aimarás estabelecidas pelas autoridades coloniais espanholas como unidades tributárias, no final do século XVI.2 Esses tributários, chamados mitayos, faziam parte de um sistema de trabalho obrigatório conhecido como mita [XXX enlace a TL005Mita y a «mita» en el glosario], segundo o qual as populações dessas entidades políticas eram obrigadas a proporcionar trabalhadores para as minas de Potosí. Naquela época, a área coberta por estas unidades tributárias coloniais correspondia, aproximadamente, aos territórios das comunidades aimarás pré-coloniais do Qullasuyu [XXX enlace a BOL0002Y], ou seja, o distrito meridional do Tawantinsuyu [XXX enlace a BOL0001Y].3 Este mapa também mostra a divisão do altiplano em duas partes: o *Urcusuyu (*zona alta) e o *Umasuyu (*zona baixa), que reflete a cosmovisão dualista andina, segundo a qual o espaço está composto de duas partes opostas mas complementares (alta e baixa), unidas por um ponto central, o taypi, neste caso, o lago Titicaca. O termo urcu tem conotações masculinas, dominantes e fálicas, enquanto que uma está associado à feminilidade, os vales e a água. De acordo a este modo de pensar, os territórios das entidades políticas aimarás estavam organizados em duas seções: a metade superior e a metade inferior. [LEIA MAIS]

    Embora os assentamentos centrais destas comunidades aimarás se encontrassem nas frias terras do altiplano, os territórios que controlavam incluíam uma série de «ilhas» em diferentes altitudes que desciam para os vales ocidentais e orientais, formando «arquipélagos verticais».4 Como descreve Larson, «o padrão de territorialidade do «arquipélago» (…) obrigava os parentes a andar a pé durante muitos dias através de diversas paisagens e territórios «estranhos» até chegarem a suas colônias periféricas».5 Esta economia de controle vertical e trocas recíprocas entre diferentes níveis ecológicos tinha suas raízes em uma estrutura sociopolítica governada pelos laços de parentesco. Este quadro de parentesco proporcionava a linguagem que legitimava uma complexa amálgama de estruturas sociais comunitárias e estratificadas que garantia a coesão e a unidade dos grupos familiares dispersos pelos territórios descontínuos das pólis.

    As políticas aimarás estavam constituídas por «linhagens confederadas» ou, mais precisamente, por conjuntos de grupos familiares aninhados, chamados ayllus. Tanto em qhishwa (a língua dos incas) quanto em aimará, a palavra ayllu pode ser traduzida como «agrupação» ou «linhagem» e se refere a estruturas sociais baseadas no parentesco de diversas dimensões e complexidades. Na escala de menor tamanho, um ayllu «mínimo» consistia em uma rede estendida de lares, que constituíam a unidade básica das sociedades andinas pré-coloniais. Um número variável de ayllus mínimos se combinava para formar um ayllu «menor», vários ayllus menores juntos formavam um ayllu «maior» ou metade, e dois ayllus maiores constituíam um ayllu «máximo*».* 6

    A estrutura aninhada dos ayllus refletia-se também em sua organização espacial. Assim, o território dos ayllus máximos estava dividido em uma metade superior e outra inferior, correspondentes às metades superior e inferior, e este mesmo princípio se aplicava à organização do espaço nos ayllus maiores, menores e mínimos. Além disso, cada mitzán possuía terras em diferentes níveis ecológicos, de igual forma que os ayllus menores e mínimos*.* Ainda que os termos «reino» e «senhorio» se utilizassem com frequência para descrever estas entidades políticas aimarás pré-colombianas, o termo «diarquia» poderia ser mais preciso, já que não há provas definitivas de que existisse uma única autoridade superior que governasse ambos os mitzán na época pré-colonial. 7

    Pertencer ao ayllu conferia direitos comuns sobre a terra, sendo provavelmente uma forma coletiva de posse da terra. Ora bem, está provado também que os chefes, os nobres e os anciãos possuíam terras independentemente dos ayllus e podiam mobilizar a mão de obra e obter excedentes dos membros do ayllu que governavam, o que sugere uma «estrutura de classes incipiente».8 Este complexo sistema sociopolítico e econômico incluía também o envio de membros do ayllu a cultivar as «ilhas» de menor altitude situadas em vales temperados e subtropicais. «Os chamados mitmaqkuna eram colonos das terras altas que estabeleciam a união vital entre a economia inter-regional e a multi-ecológica, fundamental para manter a população das terras altas».9 O princípio de descendência compartilhada que sustentava o pertencimento ao ayllu dava coesão a esta economia vertical através dos territórios descontínuos dos «arquipélagos verticais».10

    Na complexa estrutura aninhada dos ayllus, a autoridade recaía em uma elaborada hierarquia de chefes, senhores de metades e chefes regionais que representavam a unidade, os interesses comuns e a identidade do grupo. Esperava-se que esses líderes mantivessem certos padrões de justiça e equidade, mas também eles tinham o poder de mobilizar os membros do ayllu com diversas finalidades, incluídos os serviços pessoais, as obras coletivas e a guerra. A estratificação social da sociedade aimará fazia com que as trocas recíprocas entre os membros do ayllu fossem com frequência de natureza assimétrica, no entanto, sua organização sociopolítica se baseava nos ideais e princípios de reciprocidade. Assim, «embora as sociedades andinas possam ter estado marcadas pela diferenciação social e pelos processos de acumulação, a ordem normativa impunha um grau de controle social que estabelecia limitações estruturais à exploração dos camponeses mais pobres. A ideologia dominante atenuou assim o avanço da formação de classes com base nas relações de propriedade».11

    Apesar dos polêmicos debates sobre as origens do povo aimará, as pesquisas arqueológicas e linguísticas sugerem que diferentes ondas de falantes aimarás do centro-sul do Peru emigraram mais para o sul a partir do ano 200 d. C. e consolidaram seus assentamentos principais na meseta alta entre os anos 1000 e 1400 d. C.12 Pouco se sabe sobre o tipo de relações que estabeleceram com outros grupos étnicos que habitavam a meseta alta. O que se sabe é que, durante o processo de expansão inca para o sul, as comunidades aimarás foram grandes rivais dos incas e somente foram submetidas após prolongados combates. Uma vez integradas ao Estado inca (em finais do século XV) como aliados e guerreiros respeitados, eles contribuíram de maneira significativa para a expansão das fronteiras orientais e meridionais do Estado inca [XXX enlace a BOL0005Y]. Em compensação, às comunidades aimarás foram-lhes concedidas extensões de terras de cultivo nos vales para a cultura do milho, isenções de certas obrigações tributárias e, o que é mais importante, a possibilidade de conservar um significativo grau de autonomia sob o domínio indireto dos incas. Desta forma, o Estado inca consolidou e fortaleceu a hegemonia das comunidades aimarás e sua autoridade sobre os territórios que compartilhavam com os urus, os pukinas e outros grupos étnicos.

    Quando os conquistadores espanhóis chegaram ao Qullasuyu, na década de 1530, muitos falantes de urukilla e pukina viviam como grupos minoritários em territórios controlados por poderosas autoridades aimarás. Segundo um censo geral realizado na década de 1570, os falantes de aimará constituíam 70 % da população indígena do altiplano.13 Foi com estas poderosas autoridades com as quais o Estado colonial «negociou» a organização das unidades tributárias coloniais, impondo-lhes a responsabilidade de recrutar o número necessário de trabalhadores para as minas de prata de Potosí. Esta informação, junto com uma lista de unidades tributárias registradas em documentos coloniais do século XVI, permitiu aos etno-historiadores do século XX estimar aproximadamente a localização das entidades políticas aimarás indicadas no mapa.

    A estrutura organizacional destas grandes diarquias aimarás e a forma e composição de seus territórios descontínuos se viram drasticamente alteradas sob o domínio colonial espanhol. Através de políticas de reassentamento forçoso em massa, as populações de aldeias dispersas se congregaram em povoados centralizados e nucleados chamados reducciones [XXX enlace a TL003Reducciones y «reducción» en el glosario], sob o olhar atento dos administradores coloniais. Este processo de reducción/congregação conduziu a uma transformação radical da sociedade aimará, que trouxe uma reconfiguração completa da organização espacial tradicional, a ruptura do controle macro-vertical dos nichos ecológicos, o desmantelamento e a fragmentação das grandes diarquias aimarás em uma multiplicidade de «comunidades indígenas» de menor tamanho. Embora essas «comunidades indígenas» do altiplano tivessem acesso à terra e pudessem reconstruir elementos da estrutura ayllu e do controle vertical em uma escala muito menor, finalmente elas se integraram à sociedade colonial como fonte de mão de obra e extração de excedentes.

    REFERÊNCIAS:

    Abercrombie, Thomas. Pathways of Memory and Power: Ethnography and History among an Andean People. Madison: University of Wisconsin Press, 1998.

    Bouysse-Cassagne, Thérèse. «L’espace aymara: urco et uma». Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, n.º 5-6 (dezembro de 1978): 1057-1080. https://doi.org/10.3406/ahess.1978.294000.

    Bouysse-Cassagne, Thérèse. La identidad aymara: Aproximación histórica (siglo XV, Siglo XVI). Lima: Instituto Francés de Estudios Andinos, 2015.

    Bouysse-Cassagne, Thérèse. «Pertenencia étnica, status económico y lenguas en Charcas a fines del siglo XVI». Em Tasa de la visita general de Francisco de Toledo, editado por Noble David Cook, 312–328. Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos, 1975.

    Bouysse-Cassagne, Thérèse. «Apuntes para la historia de los puquina hablantes». Boletín de Arqueología PUCP n.º 14 (2010): 283-307.

    Cerrón-Palomino, Rodolfo. «El origen centroandino del aimara». Boletín de Arqueología PUCP n.º 4 (2000): 131-142.

    Cook, Noble David, ed. Tasa de la visita general de Francisco de Toledo. Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos, 1975.

    Klein, Herbert. Fiscalidad real y gastos de gobierno: El Virreinato del Perú, 1680–1809. Lima: Instituto de Estudios Peruanos, 1994.

    Larson, Brooke. Colonialismo y transformación agraria en Bolivia: Cochabamba, 1550–1900. Princeton: Princeton University Press, 1988.

    Murra, John V. Formaciones económicas y políticas del mundo andino. Lima: Instituto de Estudios Peruanos, 1975.

    Platt, Tristan. «Mirrors and Maize: The Concept of Yanantin among the Macha of Bolivia». En Anthropological History of Andean Polities, editado por John V. Murra, Nathan Wachtel y Jacques Revel, 228-259. Cambridge: Cambridge University Press, 1986.

    Saignes, Thierry. «De la filiación a la residencia». Annales ESC 33, n.º 5-6 (1978): 1160-1181.

    Torero, Alfredo. «Lenguas y pueblos altiplánicos en torno al siglo XVI». Revista Andina 10, n.º 2 (1987): 329-372.


    1. Os «tributários» eram indivíduos ou comunidades indígenas submetidos a obrigações tributárias coloniais como parte do sistema fiscal colonial, que proporcionavam bens, mão de obra ou pagamentos à coroa espanhola. As «unidades tributárias» eram divisões administrativas criadas para administrar e organizar esses recolhimentos de impostos. ↩︎

    2. Thérèse Bouysse-Cassagne, «L’espace aymara: urco et uma», Annales. Histoire, Sciences Sociales 33, n.º 5-6 (dezembro de 1978): 1057-1080. ↩︎

    3. Bouysse-Cassagne, «L’espace aymara: urco et uma», 1057-1080. ↩︎

    4. John Murra, Formaciones económicas y políticas del mundo andino (Lima: Instituto de Estudios Peruanos, 1975). ↩︎

    5. Brooke Larson, Colonialism and Agrarian Transformation in Bolivia: Cochabamba, 1550–1900 (Princeton: Princeton University Press, 1988), 20. ↩︎

    6. Tristan Platt, «Mirrors and Maize: The Concept of Yanantin among the Macha of Bolivia», em Anthropological History of Andean Polities, ed. John V. Murra, Nathan Wachtel e Jacques Revel (Cambridge: Cambridge University Press, 1986), 228–259. ↩︎

    7. Thomas Abercrombie, Pathways of Memory and Power: Ethnography and History among an Andean People (Madison: University of Wisconsin Press, 1998). ↩︎

    8. Herbert Klein, Fiscalidad real y gastos de gobierno: El Virreinato del Perú, 1680–1809 (Lima: Instituto de Estudios Peruanos, 1994). ↩︎

    9. Klein, Fiscalidad real y gastos de gobierno: El Virreinato del Perú, 1680–1809. ↩︎

    10. Thierry Saignes, «De la filiación à la résidence», Annales ESC 33, n.º 5-6 (1978): 1160-1181. ↩︎

    11. Larson, Colonialismo y transformación agraria en Bolivia: Cochabamba, 1550-1900, 25. ↩︎

    12. Alfredo Torero, «Lenguas y pueblos altiplánicos en torno al siglo XVI», Revista Andina 10, n.º 2 (1987): 329-372; Rodolfo Cerrón-Palomino, «El origen centroandino del aimara», Boletín de Arqueología PUCP, n.º 4 (2000): 131–142; Thérèse Bouysse-Cassagne, «Apuntes para la historia de los puquina hablantes», Boletín de Arqueología PUCP n.º 14 (2010): 283–307. ↩︎

    13. Bouysse-Cassagne, «Pertenencia étnica, status económico y lenguas en Charcas a fines del siglo XVI», em Tasa de la visita general de Francisco de Toledo, ed. Noble David Cook, (Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos, 1975), 312–328; Noble David Cook, Tasa de la visita general de Francisco de Toledo (Lima: Universidad Nacional Mayor de San Marcos, 1975). ↩︎

    Citation

    Medeiros, Carmen, Celina Grisi, and Radek Sánchez Patzy. 2024. 'AS POLÍTICAS AIMARÁS DO QULLASUYU NO SÉCULO XVI'. Dispossessions in the Americas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/BOL0003Y/

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