A fronteira da República Argentina ao norte e ao leste do território da Pampa em 1869
Santiago L. Cunial e Tulia G. Falleti

Juan F. Czetz e G. Hoffmeister. Plano geral da fronteira da República ao norte e ao leste do território da Pampa. Map. Buenos Aires, 1869
O Ministro de Guerra da Argentina solicitou este mapa, que foi criado por Juan F. Czetz e G. Hoffmeister, em 1869. Representa a geografia do que hoje é o centro da Argentina ou parte das províncias de Buenos Aires (com a cidade de Bahia Blanca ao sul), Santa Fé (com a cidade de Rosário indicada no mapa), Córdoba (ver Rio Terceiro no norte do mapa), La Pampa, Mendoza (com Uspallata e Rio Lujan indicados no mapa) e Neuquén. Abrange desde o Rio Terceiro, no norte, até o Rio Negro, no sul. O mapa mostra as linhas anteriores a 1869 (em azul) e as linhas naquele momento recentes (em vermelho) da fronteira do país que nesse momento era a jovem República Argentina.
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Como a constituição fundacional do país é de 1853, a República Argentina tinha apenas 16 anos quando este mapa foi feito. As linhas vermelhas pontilhadas (ao sul e ao oeste de partes da fronteira vermelha) representam novas fronteiras “variáveis”. De fato, todas estas fronteiras estavam em disputa. Aqueles a quem o exército chamava “Índios Ranqueles”, “Índios Pampas” e “Índios Chilenos”, os Povos Indígenas ou Originários que hoje identificamos como Ranqueles, Mapuches e Tehuelches, que habitavam esta região nesse momento, como mostra o mapa. As linhas azuis e vermelhas estão salpicadas de fortes e postos militares (Fortim ou Fim. e Forte o Fte. ou Fe.).
É preciso ver, por exemplo, as referências a: Fortim, Fim. S. Ignácio, Fte. San Rafael, Fte. Nuevo, Fte. Pampa del Tigre, F. Necochea, Fe. F. Sarmiento e Fte. Pringles. Ao longo das linhas vermelhas e vermelha pontilhada, vemos também as distâncias (medidas em léguas - uma légua equivale a umas 3 milhas ou 5 quilômetros). Além disso, há nomes de lugares que indicam a possível ocupação do território por grupos indígenas, como Toldos velhos, além das regiões marcadas com os nomes das populações indígenas mencionadas antes. Como podemos ver, a extensão da fronteira para o oeste e o sul, e a campanha de guerra da República Argentina, esbarraram com os territórios ocupados por estas populações indígenas. A campanha militar conhecida como a Conquista del Desierto começaria pouco mais de uma década depois, em 1878. Este mapa é particularmente interessante porque mostra a decisão estratégica do governo argentino de expandir suas fronteiras eliminando as comunidades indígenas e ocupando suas terras.
Citação do mapa:
Czetz, Juan, e G. Hoffmeister. Plano general de la frontera de la República al norte y este del territorio de la Pampa. Mapa, 50 x 62 cm. Buenos Aires, 1869. Coleção de mapas, Biblioteca Nacional Mariano Moreno, acessado no dia 1 de novembro de 2021.
Citation
Cunial, Santiago L., e Tulia G. Falleti. 2024. 'A fronteira da República Argentina ao norte e ao leste do território da Pampa em 1869'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/content/ARG0046Y/








