Resumo
Esta obra explora a violência entrelaçada, exercida tanto sobre o território quanto sobre o corpo Indígena. Ao situar duas cabeças encolhidas sobre um mapa colonial da região amazônica, a imagem colapsa a conquista geográfica com o desmembramento físico, revelando como a expansão imperial operou mediante a dominação simultânea da terra e da vida. As cabeças, outrora objetos rituais sagrados dentro das cosmologias Indígenas, aparecem aqui como artefatos—despojadas de seu contexto, suspensas sobre uma quadrícula cartográfica imposta pelo Estado. Ao mesmo tempo, sua presença se recusa ao apagamento; interrompe a autoridade do mapa, assombrando sua narrativa de ordem com a memória da resistência e a sobrevivência. Por meio dessa convergência de arquivo, ritual e paisagem, a obra insiste em que as histórias do território são sempre também histórias do corpo.
Citation
Runcie, Walter O.. 1927. 'Cabezas reducidas (Tsantsas) [Cabeças encolhidas]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/APER092/

