Resumo
Esta pintura se relaciona com o território ao visualizar as consequências ecológicas da extração de petróleo na região do rio Corrientes, na Amazônia peruana. Rodeada por um fundo industrial e sombrio, a figura central - um peixe cujo corpo foi esvaziado e coberto por estruturas de extração - funciona como uma poderosa metáfora da transformação dos ecossistemas vivos nas áreas de exploração. Torres petrolíferas e esqueletos de peixes flutuam em uma paisagem cinza e contaminada, evocando tanto a morte da vida fluvial quanto a desfiguração do território. A obra dissolve a fronteira entre natureza e máquina, sugerindo que a intervenção industrial não intervém apenas em relação à terra, mas a consome e reconfigura por dentro. Rio Corrientes confronta o espectador com a violência silenciosa da degradação ambiental: os rios que foram centrais para a vida Indígena se transformam em espaços tóxicos e sem vida. A obra se torna assim um testemunho visual do despojo, mostrando como as economias extrativas alteram não apenas os ecossistemas, mas também as geografias culturais e espirituais a eles ligadas.
Citation
Dantas, Nancy. 1992. 'Río Corrientes [Rio Corrientes]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/APER073/

