Resumo
“Revolución Puta” é um ensaio fílmico estreado em 2023 em La Paz, Bolívia, da criadora e ativista anarcofeminista María Galindo (Mujeres Creando), resultado de vinte anos de colaboração com as lutas das trabalhadoras sexuais pelos direitos de exercer seu trabalho de forma autogestionada e sem proxenetismo. Um manifesto político-fílmico protagonizado por integrantes das organizações OMESPRO La Paz e OMESPRO Santa Cruz, em que as trabalhadoras sexuais tomam a palavra em primeira pessoa para visibilizar sua realidade subalterna no contexto social, econômico e político da Bolívia, diluindo assim a noção tradicional de autoria. O filme é estruturado em quatro partes com entidade própria: “Os saberes da Puta”, “A puta e o trabalho”, “A puta e o Estado” e “Testamento”. Esses quatro corpos formam uma peça audiovisual com a capacidade de invadir todos os tipos de espaço, exceto os virtuais, já que, como diz a própria María Galindo, produziram uma poética visual que não poderá ser engolida pelas redes. A proposta tece os saberes do coletivo ao mesmo tempo que faz um mapeamento a partir da rua, da dupla moral com a que é julgado o trabalho sexual. Dos próprios corpos performáticos das trabalhadoras surge uma estética que mobiliza a impotência mediante a encenação e intervenções provocativas, às vezes cheias de humor e outras, cheias de dureza e honestidade. Uma proposta que foi criada para dialogar com os imaginários sociais e, talvez, para iniciar as transformações que este setor demanda. “Não é possível descolonizar sem despatriarcalizar”
Citation
Galindo, María. 2023. 'Revolución Puta [Revolução Puta]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/AMEX012/

