Resumo
“Desafiando al Colos0: Tres Actos” é uma interpretação artística de Déborah Castillo que confronta o legado de poder autoritário na América Latina. Têm origem na série Afrentas, a obra que encena a resistência corporal à figura monumentalizada do caudilho como símbolo de autoridade patriarcal e militarizada. Utilizando bustos de argila que ela mesma esculpe e mantém úmidos para poder manipulá-los durante a interpretação artística, Castillo realiza três ações sequenciais que finalizam com a destruição física da imagem do líder. A peça tem relação com o patrimônio cultural ao reimaginar o monumento, não como um tributo estático à história, mas sim como um espaço vivo de crítica. Com suas mãos, sua boca e sua língua, Castillo interage afetivamente com a argila, canalizando emoções como a raiva e a risada para revelar aquilo que as histórias autoritárias reprimem: crueldade, manipulação e crise sistêmica. Esta interpretação artística processual se desenvolve ao vivo diante do público que presencia tanto a construção quanto a desconstrução do poder. A inclusão da argila como matéria viva reforça o compromisso de Castillo com a arte como força dinâmica no acerto de contas histórico. Desafiando o Colosso subverte as formas canônicas de representação para se perguntar não o que lembramos, mas sim sobre o peso da história sobre o corpo e como ela pode ser desafiada.
“Desafiando o Colosso: Três Atos, faz parte da série «Afrentas» em que a artista Déborah Castillo, coloca em cena a resistência à figura monumentalizada do caudilho para questionar as estruturas febris da autoridade que historicamente ocupou o poder na América Latina. Utilizando bustos esculpidos por ela em argila, mantendo as peças húmidas para poder manipulá-las durante a performance, a artista realiza três ações consecutivas que concluem com a demolição do caudilho. Assim, a imagem do poder se transforma em um dispositivo de ação in situ que não representa a história, mas sim pergunta, qual é o peso da história sobre mim? e como posso desafiá-la? Jogando com a potência de sentimentos como a ira ou o riso, seu corpo provoca criticamente o poder desgarrando-o com suas mãos, sua boca e sua língua para revelar a energia do que é reprimido, como aberração, manipulação, crueldade e crise sistêmica social. Trata-se de uma interpretação artística processual, que se faz e desfaz frente a um público que serve de testemunha do fato performativo. Essa condição viva da interpretação artística, na qual o artista inclui a argila como matéria viva, responde a seu compromisso com a deriva da arte e sua relação com a história, subvertendo a função do monumento, o cânon ou a representação. Estreada em Junho de 2022 no Museu do Chopo, Cidade do México.
Citation
Castillo, Deborah. 2022. 'Desafiando al Coloso: Tres Actos [Desafiando o Colosso: Três Atos]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/AMEX010/

