Resumo
Monumento V faz parte de uma série contínua de monumentos performáticos que confrontam a desapropriação histórica e persistente de corpos racializados, generificados e marginalizados. Nesta interação, o artista permanece nu sobre um pedestal enquanto quatro homens mexicanos brancos seguram tábuas de madeira que ocultam seus corpos da vista do público. À medida que sua força física se deteriora com o tempo, as tábuas começam a cair, expondo lentamente ao público o corpo do artista. Esta interpretação artística de longa duração coloca em cena o corpo como local e símbolo da desapropriação: ocultado, controlado e, finalmente, revelado mediante o esgotamento e a ruptura.
Ao longo da série Monumento — apresentada em espaços como O Museu do Bairro, o Guggenheim, Dakar e Guadalajara— o artista constrói homenagens efêmeras para aqueles corpos historicamente excluídos por ordens coloniais, patriarcais e eurocêntricas: corpos Negros, Indígenas, queer, migrantes e empobrecidos. Cada obra reivindica visibilidade, presença e memória mediante a resistência, a fragilidade e a permanência do corpo. Monumento V, patrocinada pelo encontro inSURrecciones no Museu de Arte Moderna da Cidade do México, prolonga essa linhagem ao desvendar as estruturas que tornam invisíveis certos corpos no espaço público. Ao fazê-lo, reclama o corpo não como um monumento do poder, mas sim como um arquivo de dor, apagamento e sobrevivência.
Citation
Martiel, Carlos. 'Monumento V'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/AMEX005/

