Resumo
TZOMPANTLI é uma escultura cênica que reimagina o tzompantli pré-hispânico como um ato contemporâneo de acerto político de contas. Mediante a transformação violenta e o empalamento de cabeças de argila que representam quinze figuras históricas e políticas de Abya Yala, a peça confronta os legados coloniais e os regimes autoritários responsáveis pelos danos coletivos. A peça envolve o corpo como símbolo e como matéria, comprimindo-o, deformando-o e exibindo-o como resíduo da violência estatal. Ao colocar em cena a destruição dessas figuras em público, TZOMPANTLI visibiliza a relação persistente entre os corpos e o espólio na América Latina: corpos moldados pela conquista, o apagamento e a resistência. Propõe uma contranarrativa em que a escultura e a interpretação artística se fundem para questionar o poder, a memória e o uso histórico do castigo corporal como mecanismo de controle.
A interpretação artística aborda a figura do Tzompantli pré-hispânico em relação com outros métodos de tortura, vinculando práticas de castigos universais no mesmo período histórico na América. Esta pesquisa histórica mediante a ação, coloca em cena “novas formas de nos aproximarmos aos métodos de tortura a partir do presente”. TZOMPANTLI pode ser entendido como um dispositivo múltiplo de castigo por meio de uma ação que gera outra narrativa a partir das figuras do poder da história da América Latina; personalidades que, de acordo com os relatos, foram prejudiciais para o povo. A ação cênica se desenvolve em torno de uma estrutura escultórica de 4.5 metros de altura, uma estaca de metal e madeira da mesma altura e materiais como concreto, argila e pigmentos. Quinze cabeças de figuras políticas ligadas à história do continente Abya Yala, são empaladas. Cada una delas é desfigurada, amassada e comprimida durante a ação. Os restos, espetados na estaca de metal e madeira, permanecem como registros, como instalação escultórica. Os personagens, cuidadosamente selecionados para esta interpretação artística, baseiam-se na história colonial do continente americano: A rainha Isabel a Católica, Cristóvão Colombo, Hernán Cortés, Augusto Pinochet, Rafael Videla, Fidel Castro, Simón Bolívar, Hugo Chávez, Victoriano Huerta, Gustavo Díaz Ordaz, Luis Echeverría, Antonio López de Santa Anna, Rafael Trujillo, Anastasio Somoza e José de San Martín. A peça acontece diante do público; os elementos que transformaram a argila foram a adição, a subtração. a deformação, a modelagem de altura, a gravidade, a velocidade e o acaso. TZOMPANTLI é uma peça inédita patrocinada pelo encontro inSURrecciones para ser apresentada nos jardins do Museu de Arte Moderna da Cidade do México.
Citation
Castillo, Deborah. 'Tzompantli'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/AMEX004/

