Resumo
O trabalho da Comunidade Catrileo Carrión está diretamente ligado à noção de território, porque ele se focaliza no mar, um espaço geográfico que faz parte do território ancestral de numerosas comunidades Indígenas litorâneas, como os mapuches. A conexão com o mar tem suas raízes no vínculo profundo e espiritual que estas comunidades têm com seu ambiente marino, que envolve atividades como a pesca, a coleta de alimentos e a preservação de sua conexão cultural com o oceano. Através de suas obras artísticas, a Comunidade Catrileo Carrión explora e celebra esta relação sagrada entre as comunidades Indígenas e o mar, destacando a importância do território e da água em sua cosmologia e na preservação de sua identidade cultural.
Habitamos diferentes territórios: Pikunmapu/Qullasuyu (conhecido como o Chile) e o território Kumeyaay (fronteira entre os Estados Unidos e o México). As nações não encarnam apenas tradições e identidade, elas também experimentam mudanças e revoluções. Em homenagem a esta energia perpétua, apresentamos este vídeo como uma cerimônia futura. Nosso objetivo é acender a imaginação política e o amor radical (Andrew Jolivétte), fomentando a reciprocidade através destas ações que buscam conectar-se através do mar. Cada ação do projeto está entrelaçada com a vasta massa de água, o Oceano Pacífico. Gabriela"Himitsu" Nuñez criou uma atmosfera sonora para este experimento coletivo. O vídeo apresenta duas interpretações artísticas em diferentes lugares e duas peças têxteis: um cordão comunitário e uma peça tecida mapuche, chamada Ñimikan. Acompanhado de um texto poético, o vídeo atravessa o movimento da água e as peças têxteis, convidando-nos a ter uma compreensão alternativa do mar como memória fluída das marés (Kamau Brathwaite), libertando-se do controle do tempo linear sobre a vida. Junto ao vídeo, duas obras gráficas são o eco do texto poético, transferindo-o a uma materialidade diferente. Através da repetição, ocorre a transformação. O texto navega por uma geografia linguística incerta, onde as línguas selecionadas falam do nosso lugar comunitário de enunciação. Enquadrados com o mesmo design têxtil mapuche que a peça de vídeo, dois corações entrelaçados protegem este texto, já que é uma cerimônia que ainda deve encontrar sua geografia definida.
