Resumo
Oscar Santillán explora temas relacionados com a natureza e a relação entre os humanos e seu ambiente não humano. Sua obra reconhece o território amazônico como uma entidade viva, com direitos, e vinculada a uma cosmologia diferente das perspectivas ocidentais. Nesse sentido, território e espiritualidade constituem a base conceptual para discutir a obra de Santillán.
Como os rios pensam é uma exposição extraordinária que apresenta um herbário real que se afasta da abordagem convencional. Em lugar de secar espécimes botânicos para preservá-los em um estado isolado e prÃstino, esta obra de arte os apresenta como ecossistemas autônomos. O tÃtulo da peça se inspira em textos antropológicos notáveis como “How Natives Think” (Como os nativos pensam) (1922) e a obra mais recente “How Forests Think” (Como os bosques pensam) (2013) de Eduardo Kohn, que se baseia em sua pesquisa na Amazônia equatoriana. Na instalação How Rivers Think (Como os rios pensam) (2018-2019), Santillán reuniu oitenta slides que continham água e plantas da Amazônia enquanto navegava de canoa pelo rio Kushuimi, conhecido pelo povo IndÃgena Shuar. Tomando amostras da água e dos elementos flutuantes, Santillán as colocou cuidadosamente em slides personalizados e as selou, preservando efetivamente os ecossistemas vivos dentro de cada slide. Esta perspectiva única que o artista oferece nos permite perceber o rio não apenas como imagens representadas, mas como o rio em si mesmo, com inúmeros mundos dentro de seu corpo. Ao explorar o rio visto de dentro, a obra desafia a nossa percepção e nos convida a apreciar a intrincada complexidade e interconexão dos sistemas naturais. Apresenta-se uma nova perspectiva do rio, fomentando uma compreensão mais profunda de sua vitalidade inerente e seu papel na continuidade de diversos ecossistemas. How Rivers Think (Como os rios pensam) propõe reconsiderar o nosso relacionamento com os rios, reconhecendo-os como entidades vivas e enfatizando a preservação de sua sabedoria inerente e sua importância ecológica.
