Resumo
Mi vida, tu vida é uma obra profundamente íntima de Paul Sebastián Mesa, inspirada no diagnóstico de HIV da pessoa com quem mantinha seu primeiro relacionamento afetivo-sexual em 2010. A obra surge de um acordo de cuidado compartilhado: Mesa conservaria uma dose do medicamento antirretroviral de seu cônjuge, que devia ser tomada cada 12 horas. Este ato, aparentemente simples, se transformou em uma poderosa metáfora do amor, da fragilidade e da interdependência — seu cônjuge costumava dizer “Você tem nas suas mãos 12 horas de minha vida”. A obra reflete a intensidade emocional da passagem da adolescência para a vida adulta jovem sob a presença da doença e do estigma. A partir de um diário pessoal que documentava a dor, o medo e pequenas alegrias, a peça transforma um gesto de cuidado em uma exploração visual e emocional da vulnerabilidade, da confiança e da resistência. Mi vida, tu vida convida o espectador para refletir sobre como cuidamos daqueles que amamos e como os atos de preservação e proteção podem redefinir o amor em tempos de crise. Por meio da conservação de uma única dose, Mesa constrói um relato poético da vida compartilhada, da responsabilidade e do poder transformador do cuidado.
Em 2010, a vida de Paul Sebastián Mesa deu uma virada quando a pessoa com quem mantinha seu primeiro relacionamento afetivo-sexual foi diagnosticada com HIV. A partir desse momento, seu relacionamento se transformou em uma experiência compartilhada de emoções profundas, registradas em um diário íntimo em que o artista documentou sensações, frustrações, dores e pequenas alegrias. A passagem da adolescência para a vida adulta jovem, complexa em si mesma, foi marcada pela presença constante da doença e pelo estigma social que ela carrega. A obra Mi vida, tu vida nasce do acordo de cuidado mútuo: Mesa conservaria uma dose dos medicamentos de seu cônjuge, que devia ser tomada a cada 12 horas. Esta ação, aparentemente simples, transcendeu o ato físico de guardar os comprimidos para se transformar em uma poderosa metáfora. “Você tem nas suas mãos 12 horas de minha vida”, dizia seu cônjuge com afeto, destacando a fragilidade e a interdependência que marcavam seu relacionamento. Essa pequena dose se transformava em um símbolo de amor, confiança e responsabilidade compartilhada.
Minha vida, tua vida é uma obra que capta a intimidade desse vínculo, representando o ato de conservar, cuidar e sustentar a vida do outro. É uma reflexão visual e emocional sobre a fragilidade, o estigma e a resistência. Ao mesmo tempo, convida o espectador para questionar as formas de cuidar àqueles que amamos e como as dinâmicas do cuidado podem redefinir nossa compreensão do afeto em tempos de vulnerabilidade. Mesa utiliza este acordo como núcleo conceitual da obra, transformando um gesto cotidiano em um ato artístico cheio de significado. Mi vida, tu vida é uma demonstração de amor no meio das incertezas, uma exploração da conexão entre o corpo e a doença, o cuidado e a vida compartilhada.
Citation
Mesa, Paul Sebastián. 2010-2015. 'Mi vida, tu vida [Minha vida, tua vida]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/ACOL027/

