Resumo
Virosis encara o corpo como local de vulnerabilidade, trauma e abandono nos primeiros anos da crise do HIV/AIDS. Por meio de seis painéis fotográficos fragmentados e sombrios, Miguel Ángel Rojas mostra corpos em estado de colapso, apagamento ou exposição. A técnica de revelação parcial de prata em gelatina gera imagens que parecem se decompor ou emergir sob tensão química, em clara alusão aos efeitos biológicos e sociais que o vírus impunha aos corpos queer. A obra não apenas representa a dor, mas a incorpora. O processo fotográfico se torna uma linguagem de deterioração, refletindo como os corpos infectados eram vistos como contaminados, descartáveis ou invisíveis. Ao apresentar o corpo fragmentado, Virosis revela a violência não apenas da doença, mas também do estigma, do esquecimento institucional e da exclusão social. Assim, o corpo não aparece apenas representado: ele está inscrito no meio, quimicamente alterado e politicamente carregado. Virosis nos obriga a olhar e lembrar aquilo que muitos queriam apagar.
Citation
Rojas, Miguel Ángel. 1986. 'Virosis [Virose]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/ACOL003/

