Resumo
“El manifiesto PrEP” posiciona o corpo queer como um campo de batalha pelo acesso, autonomia e visibilidade no contexto da prevenção do HIV. Por meio da interpretação artística, a obra reivindica a palavra como um ato encarnado, transformando o corpo em um espaço onde a resistência contra o estigma e o controle corporativo se pronuncia e se materializa. Em vez de tratar a PrEP como uma ferramenta médica neutra, o manifesto a enquadra como um elemento profundamente político, revelando como os corpos são protegidos, patologizados ou excluídos de forma desigual de acordo com sua raça, classe, gênero e sexualidade. Ao ativar o corpo em uma ação ao vivo, o manifesto PrEP desafia o silêncio e a vergonha que historicamente cercaram o HIV/aids. Ele transforma o discurso clínico em protesto coletivo, insistindo em que a saúde não é apenas biomédica, mas corporal, social e vivida. Assim, ele reimagina o corpo não como um receptor passivo do tratamento, mas como um agente de libertação.
“El manifiesto PrEP” faz parte do Manifesto SPIT!; uma série de intervenções performáticas no Frieze Projects, Londres, realizadas em 2017, que incorporara ações orais e gestos performáticos inspirados em manifestos queer produzidos desde 1960 até os dias atuais. O coletivo SPIT! escreveu uma série de manifestos que respondem a questões cruciais como a opressão por gênero ou sexo, e convidou vários intérpretes para representá-los, (em alguns casos) reescrevê-los e performá-los. O manifesto PrEP aborda especificamente a importância do tratamento, a ganância corporativa, o estigma e a libertação que rodeiam a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição), um antiviral usado por pessoas que não tiveram contato com o HIV para prevenir o seu contágio.
Citation
SPIT!, Sodomitas, Pervertides, Invertides, Juntes! (Carlos Motta, John Arthur Peetz, Carlos Maria Romero). 2017. 'El manifiesto PrEP [O manifesto PrEP]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/ACOL002/

