Resumo
Esta obra oferece uma mordaz inversão da lógica colonial ao colocar o colonizador branco Carl Hagenbeck, conhecido por organizar exposições etnográficas, dentro de um fictício “jardim de aclimatação” para brancos. O termo remete à prática do século XIX de exibir povos Indígenas nos chamados zoológicos humanos para justificar a conquista imperial e o racismo científico. Aqui, o controle territorial é reimaginado: em vez de os corpos colonizados serem observados em terras estrangeiras, é o colonizador que aparece sujeito, adornado com sinos e transformado em espetáculo. O corpo passa a ser terreno de crítica: acorrentado, exposto e instrumentalizado, evoca as formas violentas pelas quais raça, geografia e poder se entrecruzam. Ao voltar o olhar colonial sobre si mesma, a obra convida o espectador a confrontar os legados espaciais e corporais do império.
Citation
Ticona, Mirna. 2022-2023. 'Jardín de aclimatación de blancos [Jardim de aclimatação de brancos]'. Desapropriações nas Américas. https://staging.dia.upenn.edu/pt/art/ACHI018/

